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Oh palavras

Queria brincar com
as palavras
Digladio com elas.
Aliás, quando
escrevo, sinto
a areia da arena.
Essas palavras
me atacando,
me envolvendo,
me destruindo...
Por fim,
vislumbro
o marítimo da
beleza afêmera
no instante em que sou derrotada
por elas.

Memoria

O tempo.
Tão terrível,
tão estranho
anda de braços dados com meus medos.
Torto de encanto
me encontra.
Sou a réplica da culpa
que faz correr e cansar.
E o tempo vai,
no tempo vou.
Me dou conta das curvas
que a estrada entortou.
Sentada,
espero que traga o vento
as coisas da vida
que a memória guardou.
Vilmara Bello[Poesia brasileira]
Por trás da carne
São Paulo:Scotecci, 1995

 

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Mão

A minha mão na sua mão,
é tanto e mais...
A minha mão na sua,
ambas juntas,
nunca mais.

Tudo vale

Vou
vender meus sonhos
quanto me dão?
nada me dão?
nada valem.
Não valem o vale
dos meus olhos
olhando os seus.
Mas,
tudo vale
se dentro do verde vale
houver vivos olhos
olhando
os meus.
Vilmara Bello[Poesia brasileira]
Minha nudez
Araçatuba,SP:Edicon, 1993

 

 

 

 

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