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Trajetoria/Biografia -Vilmara Bello
Nasci em São João do Triunfo no estado do Paraná em 23 de Março de 1970.
Desde que aprendi as primeiras letras do alfabeto e pude compor frases com elas, rabisco as bordas dos meus cadernos como uma forma de expressar-me. Daí a origem da poesia em minha vida.
Na adolescência me tornei uma jogadora de voleibol e mais tarde me profissionalizei no esporte. Fase em que escrevi e li bastante e foi quando a poesia fez sentido para mim literalmente. Em função de uma lesão e mais tarde uma cirurgia no ombro direito, tive que deixar o voleyball. Que foi para mim uma bússola em termos de disciplina, perseverança e determinação. Nessa época cursava a faculdade de Letras e escrevia uma coluna semanal no Jornal da Cidade de Araçatuba no interior de São Paulo.. Tempos depois, por pura falta de identificação e excesso de inquietação abandonei o curso e comecei fazer Comunicação Social, (Publicidade e Propaganda), fui ser redatora numa emissora de TV( TVI/SBT em Araçatuba) período em que escrevi praticamente todo meu primeiro livro MINHA NUDEZ, publicado em 1993 numa produção independente, (o único jeito de se publicar poesia nesse país). No último ano da faculdade, em 1995 publiquei o segundo livro POR TRÁS DA CARNE que havia escrito enquanto o outro estava sendo editado. Neste mesmo período mantínhamos um grupo e um jornalzinho alternativo: SOCIEDADE DOS POETAS VIVOS que circulava na faculdade de Comunicação. Foram anos muito produtivos de intensa atividade acadêmica e literária.
Em 1996 mudei para São Paulo como aluna especial do Curso de Mestrado da ECA (Escola de Comunicação e Artes da USP) Depois disso voltei para Araçatuba cidade que me acolheu, onde havia vínculos afetivos, amizades e projetos. Em Araçatuba as coisas fluíam e logo fui contratada pelo Jornal Folha da Região, dessa vez não mais na redação e sim na `área de marketing, em função da minha formação, trabalhei na reforma editorial e gráfica do jornal, implantação do provedor de internet, jornal on-line e etc Embora em plena atividade profissional havia qualquer coisa que se movimentava em mim e me fazia querer ir embora. Sentia que precisava ir mais longe, andar, abrir a cabeça, conhecer outros mundos. Foi uma fase quase sem poesia, até que resolvi deixar o Brasil e fui primeiramente para a cidade de Orlando na Florida USA, onde morei e trabalhei com uma grande profissional jornalista e amiga Valeria Haddad que na época mantinha dois jornais para Brasileiros em USA, O PASQUIM e THE BRAZILIAN JOURNAL, lá fazíamos de tudo, reportagem, fotografia, edição, diagramação, depois de pronto andávamos algumas milhas para fazer a impressão na gráfica de uma cidadezinha próximo ao Golfo do México, esse trabalho durava um dia inteiro,enquanto isso jogávamo-nos exaustas nas areia da praia vazia, onde os pelicanos sobrevoavam o céu azul e americano, batia uma saudade do Brasil. Nos finais de semana eu virava “peão de obra”, ajudando um amigo da Valeria com reformas e construção, fazendo rejunte com argamassa em azulejos de piscinas, passei alguns domingos rejuntando os azulejos das piscinas da Disneylândia sob um sol de quase 38 graus enquanto alguns milionários americanos jogavam golf no campo ao lado. Foram dias difíceis e solitários, quase sem poesia talvez devido ao cansaço. A vida na Florida não fazia sentido também, estava cansada de algumas utopias intelectuais, cansada de escrever, cansada de jornal, de só falar e escrever em Português mesmo vivendo noutro país, cansada de comunicação, mídia, egos, cansada de tudo, queria sumir no mundo, ir para algum lugar bem longe de tudo aquilo, mergulhar num silêncio, numa vida que fosse mesmo diferente.
Decidi seguir outros caminhos e em julho de 1998 fui para Londres, onde iniciei um longo e duradouro exercício de humildade, em todos os sentidos.
A hora era de encarar a vida de outra forma e o caminho de volta parecia não existir mais, como uma estrada que se apagava `à medida que eu andava. Pressentia a chegada de dias difíceis, como de fato foram, mergulhei numa realidade que até então não existia, cuidei de crianças, cachorros, gatos, aprendi cozinhar num café brasileiro, limpei banheiros, casas, jardins, cuidei de uma Marquesa falida que pertenceu `a pomposa Aristocracia Britânica dos tempos das “vacas gordas”. Trabalhei no café da TATE MODERN (Uma galeria de Arte Moderna `as margens do Rio Tamisa) e na sede da Organização Mundial do Café, nunca fui tão polivalente em minha vida, de fato a necessidade nos torna versáteis e como. Houve muitas coisas boas também, pessoas especiais cruzaram minha vida dando sentido aos meus dias e quase compreendi alguns “porquês” dessa lida. Nesse período participei do ENCONTRO DE POETAS BRASILEIROS no Terra Brasil onde conheci os poetas brasileiros ou brasileiros poetas Natan Barreto e Alessandra Picheco e a professora Else Vieira da Universidade de Londres. Nossos encontros resultaram na tese de doutorado da Else na Universidade de Oxford e depois a tese se transformou num livro em vias de publicação na Ingalterra além de trabalhos levados a outros congressos e seminários no Brasil e no exterior.
Trabalhei, estudei e viajei muito, por muitos países, principalmente com a equipe Inglesa de voleibol amador da qual fiz parte durante quatro anos. Diante de tantos afazeres arrumei tempo para estudar música (saxofone) pois a Europa é uma fonte inesgotável de conhecimentos que desperta uma vontade de aprender tudo, fazer muitos cursos, estudar sempre, aquela sensação “quanto mais aprendo mais ignorante me descubro” fiz também o curso de tradução na Universidade de Westminster, enquanto trabalhei na ACORD uma ONG que ficava em Westminster ao lado do Big Ben onde passei os últimos dois anos antes de voltar para o Brasil.
Embora tudo, senti grande dificuldade em lidar com tantas coisas diferentes, foi como se houvesse um momento de silêncio para a poesia em minha vida. Eu costumava dizer: “parei de escrever e estou vivendo .” como uma desculpa para mim mesma e talvez eu estivesse certa.
Voltei ao Brasil em outubro de 2003 certa de que era isso o mais certo a fazer diante dos acontecimentos e aqui estou tentando reunir nesse site/portal parte da minha produção literária e também da minha experiência de vida. Acredito que através dessa iniciativa, estou de alguma forma cumprindo o compromisso intelectual, emocional e pessoal que mantenho com a poesia considerando os tempos de cibernética e globalização.
Vilmara Bello
Curitiba, Outubro 2004
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